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Praxes

Ponderei bastante antes de escrever sobre este post porque sei que é um tema sensível e que anda na boca do mundo neste momento, devido à tragédia do Meco. O que lá se terá passado só o único sobrevivente saberá e para já apenas se pode especular o que se terá passado. Não devemos partir do pressuposto que será culpado, se é que há culpados. Mas gostava de falar um pouco sobre a minha opinião acerca das praxes.

 

Estudei fora do Porto, na Universidade do Minho, pólo de Guimarães. Num ambiente de praxe académica promovida sobretudo pelos cursos de Engenharia, o curso de Arquitetura estava um pouco à parte ( não seremos sempre assim?) e praticava sobretudo um acolhimento aos novos alunos, mostrando o campus, promovendo jantares e convívios. Nada comparável às figuras que viamos os caloiros de Engenharia fazerem, sempre que havia folgas e horas livres. Isto durante o ano todo. Era vê-los a comer sem talheres e de mãos atrás nas costas, a rastejarem pelo chão enlameado, a cantarem músicas que fariam qualquer um corar, ao mesmo tempo que simulavam posições sexuais. Isto não tinha nem terá nunca piada a meu ver. Era sobretudo um jogo de poder, exercido pelos Cardeais que a belo prazer abusavam dos caloiros e ai de quem contestasse ou se metesse. E não sei se aqui no Porto existe algo comparável mas na Universidade do Minho existe uma coisa chamada Trupe da Morte, um grupo composto pelas mais elevadas hierarquias académicas que sai à noite de caras tapadas e ai do caloiro que lhes apareça à frente. Uma colega minha foi apanhada pela Trupe e sabe Deus o que lhe aconteceu, que até hoje ninguém sabe. Sei que ela ponderou apresentar queixa mas nunca o fez com medo das represálias. Sou só eu que acho isto um absurdo? Um grupo de mascarados que sai à rua e espera ficar impune de todas as maldades que resolver fazer? Estão à margem da lei? Parece que estamos perante a Máfia.

 

Entretanto e no meu 3º ano resolvi comprar o traje académico,  não querendo por isso fazer parte das praxes nem praxar ninguém, mas como uma forma de mostrar que podemos e devemos brincar e conviver, sem incutir medo, sem humilhar ninguém... Pois nesse mesmo ano, aquando o Julgamento do Caloiro, foi o descalabro quando resolveram rapar parcialmente o cabelo a uma caloira, obviamente sem a autorização dela. Caloira de Arquitetura, praxada por Engenharia. Porque as engenharias tinham poucas mulheres e geralmente eram as dos cursos vizinhos - Arquitetura e Geografia - que levavam com aquelas avantesmas em cima. Quer fossem caloiras ou não, nenhuma escapava do assédio masculino que parece que vinha inscrito no codigo genético de cada espécimen que entrava naquele curso. Passar no átrio principal sem acompanhamento masculino era sinónimo de piropos na categoria dos trolhas, ser perseguida por um qualquer que insistia que te ia acompanhar até casa (sim, está-se mesmo a ver), ia atrás de ti e e obrigava a dar uma grande volta só para não descobrir onde moravas. Mas falava eu do Julgamento do caloiro, que acabou com uma data de cardeais de Arquitetura à batatada com Cardeais de Engenharia. Acabou-se aí qualquer relacionamento meu com praxes e recepções aos caloiros. Só voltei a trajar na minha imposição de insígnias.

 

Acho o cúmulo ouvir "as praxes preparam-nos para a vida" ou "vivo para praxar" ou ainda " as praxes servem para incutir espírito académico nos recém chegados". Lamento, jamais aceitarei que essas boas vindas e preparação para a vida incluam humilhações públicas, simulações de sexo e comportamentos que nem os animais têm. Para mim, praxe é equivalente a abuso do poder e humilhação e espanta-me ouvir a devoçao que muitos nutrem por estas práticas. E agora vem a lume todo um mundo "secreto" com códigos, dcumentos assinados a isentar de responsabilidades, provas de pressão e testes de lealdade. Digam lá se não é coisa de seita?

 

xoxo

cindy

 

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4 comentários

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    ARMANDO CORREIA 27.01.2014

    Acabei de ler o seu comentário e ainda bem para si que a praxe lhe trouxe confiança para ir para o jornal e afins.... pela parte que me toca fiz parte do jornal da minha aldeia aos 16 anos e fui presidente da Associação de estudantes do Secundário SEMPRE enquanto lá andei, não precisei de praxe para ganhar confiança.
    Mas gostei de ler que foi positivo para si, e concordo consigo num ponto fulcral do seu testemunho a deturpação do sentido de praxe, também penso como deve ter lido no meu comentário que é disso mesmo que se trata a deturpação de todo o conjunto de normas e códigos já existentes.
    Mas não posso deixar de fazer uma pergunta, se toda a gente sabe que existe essa deturpação porque razão as academias não tomam medidas para acabar com os tais abusos?
    E ainda existe outra questão muito mais importante que vem demonstrar o silêncio sobre este assunto, porque razão não se analisam os testemunhos de antigos alunos e mesmo este tipo de blogs e comentários para se tirar uma conclusão sobre aquilo que se tem passado nos últimos anos??
    Quase que apostaria que pelo menos o assunto servirá para um Prós e Contras da Fátima Campos Ferreira.
    A sensação que fica é que saímos e esquecemos, as praxes deixam de ser o nosso problemas para passar a ser o deles, e não é bem assim é quase uma questão de cidadania.
    Desculpe o meu estilo mordaz, faz parte..
    Cumprimentos.
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    Pedro Silva 27.01.2014

    lovenox a questão da confiança prende-se com algo muito particular e que eu vou explicar resumidamente.

    Eu não entrei na Faculdade com 18 anos de idade. Entrei quatro anos mais tarde (salvo erro).

    E tal deveu-se a um problema de saúde bem grave que me atrasou os estudos no Secundário. Felizmente a coisa foi ultrapassada, mas deixou as suas marcas na minha personalidade e foi-me difícil integrar no Mundo Académico, Mundo este que por norma é muito competitivo (pelo menos na minha Faculdade na altura era).

    Daí que a Praxe tenha dado o "empurrão" que eu necessitava.

    "se toda a gente sabe que existe essa deturpação porque razão as academias não tomam medidas para acabar com os tais abusos?"

    E quem disse que não o fazem? Não o fazem é em frente às televisões, rádios e jornais.

    E sim, estou de acordo que as Reitorias devem tomar medidas para que se evitem cenas como a que a cindy aqui relatou. Não faz sentido nenhum os Estudantes andarem à pancada dentro da Faculdade!

    A Praxe tem coisas boas e coisas más.

    O que não devemos é olhar para as coisas más e daí retirar a conclusão de que a Praxe é má em todo o lado e em qualquer circunstância. Por esta lógica eu também cometeria o disparate de afirmar que trabalhar com as Mulheres é um terror porque tive a pouca sorte de ter conhecido duas ou três que me trataram mal durante os estágios.

    E não levo a mal o seu pensamento e forma de o expor. Digo-lhe que até esteve muito melhor que certos "Pachecos Pereiras" e outros tantos que quando falam na Praxe insultam mais que aqueles que criticam.

    Cumprimentos
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    ARMANDO CORREIA 27.01.2014

    Caro Pedro Silva
    Com o devido respeito pela sua situação ( na altura ) para mim desconhecida como deve calcular, reconheço então o valor da praxe para si.
    Penso que no essencial estamos de acordo.
    Neste espaço de tempo pude ver nas noticias uma das hipóteses do que poderá ter acontecido ( na RTP ) e acabo, caso seja verdade por me rever nas palavras do Antigo Presidente da Academia de Coimbra Emídio Guerreiro que diz e passo a citar:
    " a praxe não é aquilo, nunca foi ", aquilo são " Actos ilícitos e devem ser punidos ".
    A verdade é que a hipótese colocada nas noticias parece-me mesmo estúpida demais para ser Praxe.
    Vejamos o que nos reservam os próximos dias, embora neste pais quase tudo caia no esquecimento.
    Quanto á tirada " Pacheco Pereira " agradeço-lhe o reconhecimento, pena que não sou contratado por uns milhares mensais para comentar em canais de televisão, eles já são tantos e muitos deles donos de tantas verdades que qualquer alarvidade que digam parece sempre uma passagem bíblica, que Deus os ilumine quando abrem a boca.
    Cps
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